Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger.
Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida...
Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida...
Valorizando os afectos...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Preparação Cirúrgica

Não, é novidade ,que independentemente de ser um adulto, tudo têm de ser planeado e preparado ao pormenor.
Mesmo tratando-se de uma cirurgia.
Recuando à sete anos atrás, depois de uma agressão ficou  com sequelas, um desvio no septo nasal, que se veio agravar ao longo destes anos, com as "torcidelas"  que  foi infligindo ao nariz, para conseguir respirar.
Em períodos de maior crise, resmungava que nunca mais era operado.
Efectivamente nunca tinha sido chamado para cirurgia,apesar das várias consultas de otorrino, iam sempre protelando, provavelmente com medo da reacção dele.
Colocamos sempre muitos Se's...
Embora habitualmente nos surpreenda pela positiva ( como por ex: no dentista).
Quando numa das consultas a médica já o conhecia, ficamos mais confiantes e seguros.
Avançamos com os exames preparatórios , e a autorização para o acto cirúrgico.
Sem dramas, ficou convencido.
Só o impacto de ser de uma semana para a outra, a decisão, começou a pesar, e o nervoso a apoderar-se, o que é normal , tendo em conta o desconhecido.
O facto de fazer várias leituras e pesquisas, também  acaba por o baralhar um pouco, por outro lado "impõe", algumas condições : porque assim, e não de outra forma?
A ponto da médica, já dizer que ele sabe tudo (teoricamente).
Continua...


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Opinião...


As opiniões valem o que valem, e neste caso não têm nenhum fundamento cientifico.
É apenas, e só  uma opinião pessoal , baseada num caso especifico, e em  alguns outros que tenho conhecido ao longo da vida, mais a fundo nos últimos 10 anos, fui absorvendo aqui e além, alguns outros casos pela partilha  com outros pais de crianças e adultos com perturbação do espectro do Autismo.
Quanto a mim torna-se perigoso este "surto" de um saco cheio de pessoas que andaram uma vida inteira a "sofrer" com esta perturbação, num entanto fizeram um percurso de vida, em que nada foi detectado.
Já em adultos por um ou outro comportamento que efectivamente até se pode enquadrar nos parâmetros do Autismo , passam a  ser diagnosticados com esta síndrome.
À 30 anos, o autismo cingia-se ao Autismo clássico, o grau mais grave  e era quase um desconhecido.
Actualmente segundo a nova tabela DSMV , existem 3 níveis : grave, moderado e ligeiro, ainda assim dentro destes critérios, à uma grande variabilidade entre eles cada caso é único e muito particular.
No entanto haverá entre todos eles uma linha em comum, as dificuldades comunicação, inter-acção e socialização em maior ou menor grau.
Como eu acredito na teoria  de que o Autismo já vem no código genético, e grande parte dos comportamentos atípicos  manifestam-se desde tenra idade embora os mais ligeiros possam "disfarçar" até idade escolar.
Do meu ponto vista, não se têm autismo apenas por um, dois ou três comportamentos padrão do autismo.
Falei de à 30 anos, embora esteja a falar de alguém que já têm quase 33, e não passou nada despercebido nem aos olhos dos pais nem dos familiares nem aos olhos da primeira educadora, os muitos comportamentos "fora do comum", levaram-me a suspeitar do tal "bicho" Autismo.
Os comportamentos, observados por nós, referenciados pela educadora de sala , e a educadora de EE  ainda analisados por alguns psicólogos nunca referiram autismo apesar das demasiadas evidências e ter todas as especificidades descritas nos relatórios da época.
Talvez por isso , hoje ache estranho a quantidade de diagnósticos, já quase considerada uma "epedemia".
Não sei até que ponto este exagero, não virá a prejudicar os casos efectivos.

Mãe Mina


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Não inventem"



Sempre, que quiserem fazer algum trabalho, (seja ele qual for), que implique inter-acção, com indivíduos com Autismo.
Ter em atenção:
-"Que o faz de conta não existe, (na concepção deles)"
-"Que ou é, ou não é ( não à meios termos)"
Falem só quando tiverem certezas, não finjam interesse ( em algo relativo a eles) se efectivamente ainda não tiverem essa proposta consolidada.
-"A corda bamba"
Deixa-os profundamente ansiosos.
-Precisam de saber as datas, os horários, o que os espera, com precisão ( no fundo apenas segurança).
Será assim tão difícil?

Dependência


Passamos do 8 ao 80, com uma velocidade vertiginosa.
Se por um lado o quero ver livre e autónomo.
Por outro super protejo-o
O que acaba por causar a dita dependência.
Ele têm a garantia de que a mãe , estará sempre presente na vida dele ( embora o vá relembrando, que a velhice ou alguma doença, me poderão impedir de cuidar dele).
Não sei , se é por ver a velhice a aproximar-se .
Parece uma criança à procura da mãe, sempre que não me vê, e este não ver pode ser estar apenas no quintal, ou noutra divisão da casa.
Este meu rapaz é mesmo um mimado.
Vêm me  à ideia, ou,  já será  mais uma ideia fixa, de quando eu não estiver, ou não puder (só por motivos muito graves e incapacitantes).
O que será deste meu filho?

Mãe Mina



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Depende!?



Depende do quê!?
Das Perspectivas de  cada um, as palavras têm a conotação que lhes dá-mos.
Podemos ver a mesma coisa, pelo "copo cheio" ou pelo "copo meio vazio"
Analisando, a tão apregoada "INCLUSÃO"
-Irem aos mesmos lugares!?
-Conviverem com a sociedade no geral!?
-Poderem emitir opinião, sem serem julgados!?
-Poderem frequentar efectivamente as escolas em pé de igualdade com os outros alunos, respeitando a sua condição física e psicológica!?
-Poderem ter um emprego, remunerado!?
-Poderem vir a ser  autónomos! ?
-Poderem ter vida própria!?

E isto existe!?
De que lado fica o copo!?
Digam de vossa justiça

Mãe Mina


sábado, 9 de setembro de 2017

Riscos


Fala-se actualmente muito mais  em autismo, do que à 2/3 décadas.
O que não quer dizer, que todos  entendam, as particularidades dos indivíduos cujo os comportamentos são algo singulares, algumas vezes inapropriados, só o facto de não terem um filtro, põem nos constantemente à prova.
Se são crianças acha-se piada, à transparência , à sabedoria espantosa  em algumas matérias que nem supúnhamos essas capacidades.
Quando são adultos essa transparência e capacidade de memória, pode tornar-se "perigosa".
Para quem os conhece continuamos achar piada à mesma inocência e doçura  que nunca perdem.
Para os que não conhecem, podem achar assustador, assim no meio da multidão alguém começar a gritar a chamar atenção : "olha ali o T.F", isto a referir-se a um politico da nossa praça, cuja a memória dele  não o deixou  esquecer se  de o  ter ignorado  num projecto de inclusão e divulgação sobre o tema que aqui, nesta modesta "casinha continuamos a divulgar.
Quem corre os riscos, não são os outros.
Quem corre riscos, são mesmo as pessoas que têm este à vontade, no fundo provocatório, mas sem essa intenção.
Será que alguém , entende!?

domingo, 3 de setembro de 2017

Viver em sociedade


Entre nós...
E os outros!?
Existe um rio, existem margens..
Isto para tentar perceber, o que será que os outros acham, desta forma peculiar e particular de comunicar.
Estar em sociedade, exige demasiadas regras e etiquetas, que para um "Aspie", não serão barreiras visíveis, dada a naturalidade com que lidam com as pessoas.
Os temas de conversa, podem vir do nada, ou de algo que os liga a algum local ou acontecimento, com fio condutor pré-determinado por eles, que do outro lado quem não conhece ou lida habitualmente com esta síndrome, poderá ficar confuso. apreensivo com conversa.
Neste contexto o que fazer...
Deixar que as pessoas, percebam!?
Colocar-mos o rótulo nos indivíduos?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Correu bem ""


Dar asas, não é fácil.
Mais por nós, do que por eles.
Durante a feira dos frutos, acompanhou a mãe.
Enquanto a mãe ficava no stand da feira.
Ele ia passeando pela feira, à procura de gente conhecida e de acumular mais papel dos outros stands para trazer para casa.
Há noite assistia aos concertos, no primeiro dia ficou num local com amigo, local que a mãe sabia.
No segundo dia, a multidão era muito mais, queria deixa-lo no mesmo sitio, mas quando fui à procura dele já  não o encontrei.
Pedi a alguns amigos, que se  o vissem, me avisassem .
No meio de tanta gente, era quase encontrar uma agulha no palheiro,  ninguém o viu.
Eu sei que ele não se perde,  e que no final do concerto ira ter ao local onde a mãe estava, mesmo assim fico preocupada.
Só mesmo quando terminar a última música e sair toda a gente do recinto, ele vem.
Assim foi.
Quando o reencontrei disse-me : Correu bem...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Caminhadas


Caminhar, é uma forma salutar e saudável , de conviver.
Fazer caminhadas em grupo, tendo como companhia este rapaz , é uma aprendizagem para ele e para todos os que o acompanham.
Já o fazíamos a dois, em grupo começamos à cerca 7 anos, têm tido uma enorme evolução.
Se no inicio, não largava as saias da mãe , agora dificilmente o encontro durante o percurso, porque gosta de ir sempre na fila dos primeiros,  já não o consigo acompanhar.
Normalmente fico tranquila, porque a maioria dos caminheiros já o conhece e tem  por ele grande carinho.
Este sábado realizou-se a caminhada nocturna anual em Óbidos.
E ao contrário do que é habitual, em centenas de pessoas conheceríamos uma meia dúzia.
Partimos já a prova tinha começado, tivemos de correr para apanhar o pelotão.
Mas este rapaz, não é de se  ficar, na fila de trás e prolongou a corrida, até  à fila da frente, onde ninguém o conhecia.
À medida que prova decorria, a minha preocupação de mãe desta vez ia alta, embora soubesse que ele ia à frente o percurso era floresta escuro e ele não tinha lanterna, tinha esperança que daquela meia dúzia de conhecidos alguém fosse perto dele (mas, só esporadicamente algum deles passou por ele).
Cansado e com uma subida pela frente, e os pés a doridos, sentou-se provavelmente à minha espera.
Quando uma das nossas companheiras habituais , passou por ele e fizeram os últimos metros juntos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Sede de conhecimento"


Como é que posso saber tudo o que aconteceu  antes de eu nascer?
É esta a pergunta que eu gostava de responder.
É preciso estudar.
O que aconteceu em 1960?
Como é que sei a resposta a esta pergunta  se eu nessa altura ainda não era nascido.
É através da leitura e de muito estudo na Wikipédia que eu consigo obter respostas a essa pergunta.
Só assim se consegue ter boas notas na disciplina de história.

Escrito pelo Bruno Julho 2017

Nota-  A mãe acrescenta, que esta sede de conhecimento o leva, a querer saber de tudo, sobre tudo, o que imagino será muito cansativo, o acumular da informação  de muitas pesquisas , incluindo decifrar palavras, que estão nuns dicionários e não estão noutros.
-Não sabes o que aconteceu em 1960 ? Pergunta a mãe
-Foi o ano em tu nasceste . ( pronto aqui está o facto histórico do ano ) :)